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LOCAL E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM

Para escolher o ponto de amostragem em áreas de plantio direto, o agricultor ou técnico necessita tomar alguns cuidados especiais. Como em plantio direto o solo não é revolvido, os fertilizantes concentram-se na zona dos sulcos de semeadura.

Quando o agricultor fertiliza a cultura de inverno (trigo, cevada, centeio, aveia, azevém etc), semeada em espaçamento estreito (15 a 20cm), a distribuição dos fertilizantes na área tende a ser mais homogênea que nos casos de fertilização apenas das culturas de verão (soja, milho, arroz, sorgo, girassol etc), cujos espaçamentos são mais largos (40 a 100cm).

Essa desuniformidade tende a desaparecer com o tempo, não se constituindo em problema caso a área apresente um bom padrão de fertilidade desde a implantação do sistema. Entretanto, a amostragem no sulco de semeadura recentemente fertilizado pode induzir a erros de interpretação e, consequentemente, de recomendação de fertilizantes. Para não se correr esse risco, em áreas com concentrações de adubos na zona dos sulcos, a melhor época para fazer a amostragem é no final do ciclo ou após a colheita da cultura de verão, quando ainda se pode distinguir claramente as linhas da cultura presente ou antecessora. Assim fazendo, o agricultor fertilizará a cultura de inverno e alcançará uma homogeneização mais rápida da área. Este aspecto é particularmente importante em áreas de baixa ou média fertilidade, onde a zona dos sulcos pode ser muito mais fértil que nos entressulcos.

LIMPEZA DO LOCAL

Em plantio direto, o solo geralmente se encontra coberto por uma camada de resíduos vegetais. Esses resíduos precisam ser retirados no momento da amostragem. A Figura 5 mostra o procedimento correto no local de amostragem.

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PROFUNDIDADE DE AMOSTRAGEM

Provavelmente, é o aspecto em que há maior diferença entre a amostragem do solo em plantio direto e sob preparo convencional. Devido à tendência de concentração dos nutrientes próximos à superfície, há necessidade de subdivisão da profundidade costumeiramente adotada em preparo convencional, que é de 0 a 20cm.

Se a subdivisão não for realizada, corre-se o risco de se obter, na análise, uma média grosseira da fertilidade da camada amostrada, sem, no entanto, detectar a existência ou não de um gradiente de fertilidade.

É um aspecto que tem particular importância nos seguintes casos:

  • a fertilidade do local é baixa e não sofreu adequação antes de iniciar o sistema de plantio direto;
  • o solo apresenta baixo teor de cálcio e/ou alto teor de alumínio na subsuperfície, são exploradas culturas exigentes em fertilidade;
  • água e a área se localiza em região onde há frequentes veranicos.

Quando estas condições estão presentes, recomenda-se que as amostragens de solo em áreas de plantio direto sejam realizadas nas profundidades de 0-5cm e 5-20cm.

Como orientação geral, cabe salientar que a profundidade de amostragem deve ser considerada para todos os tipos de preparo utilizados, uma vez que, a profundidade universal de 0 a 20cm cabe muito bem apenas para situação de aração com discos ou aivecas nesta profundidade.

Para preparos mais rasos ou com implementos de dentes, que não revolvem tanto o solo, gradientes de fertilidade podem ocorrer em diversos graus e profundidades. Neste aspecto, a subdivisão da amostragem do solo em profundidade pode indicar a adubação mais adequada ao sistema de preparo

Fonte: http://www.iapar.br/arquivos/File/zip_pdf/CT90.pdf